Tempos difíceis.
Nunca, na minha vida,
Senti as coisas
Se esvaírem indizíveis.
O assovio do pássaro
Me parece tão rouco,
Tão distante.
Enquanto não vejo o horizonte.
Enquanto o barco vai
À deriva, não se sabe
Onde vai parar
Essa jornada.
Porque tamanha inapetência
Minha frente aos frutos
Que colhi das árvores que plantei ?
Qual dissabor sinto ao mordê-los ?
De onde vêm esses ventos,
Esses alísios que sopram em
Meu peito ? De onde
Simplesmente vêm ?
Sinto que me perdera
Em raciocínios que agora
Me parecem devaneios
De náufrago preso a estilhaços.
Nesse mar da razão-sem-fim
Enquanto o balançar das ondas
Cadenciam o ritmo desquadrado
Da minha visão,
Vejo o prumo de minha elegância
Se transformar na absonância
Dos movimentos ridículos
Do passo-à-passo pro futuro.
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